Alana Gandra
Repórter da
Agência Brasil
Rio de Janeiro – Apesar de considerar que o agronegócio brasileiro
encontra-se em uma situação positiva, o ex-ministro da Agricultura Roberto
Rodrigues apontou hoje (4) a falta de estratégia governamental e do setor
privado que propicie expansão do setor. Segundo Rodrigues, o cenário tem sido positivo para a maioria dos segmentos
da agricultura nacional favorecido por fatores externos, como a seca nos Estados
Unidos (que levou à quebra da safra de milho e soja elevando os preços no
mercado mundial) e a estiagem na Europa Central (que prejudicou a produção de
trigo na região). No entanto, citou como problemáticos os setores de produção de
laranja, “porque o mundo está superofertado em suco de laranja, que é um setor
bastante concentrado” e o de cana-de-açúcar “porque há ausência total de uma
estratégia governamental e privada também para o setor agroenergético, etanol
principalmente.”
Para Rodrigues, o Brasil está
“marcando passo” diante de uma demanda crescente por produtos agrícolas
(alimentos, fibras, energia) em decorrência do aumento da população e da renda
per capita nos países emergentes. Ao mesmo tempo, destacou que existe
uma manifestação global, “quase unânime”, para o Brasil aumentar a produção.
“Nós não estamos fazendo nada. Não há nenhuma política definida para que se
avance nessa direção,” disse à Agência Brasil. "Estamos
marcando passo com temas importantes e perdendo de vista uma estratégia mais
abrangente e mais ampla,”acrescentou.
O ex-ministro reconhece que gargalos na área da infraestrutura, que impedem o
crescimento da produção agrícola, começaram a ser tratados de maneira mais clara
pela presidenta Dilma Rousseff, representando um “avanço”. “Falta uma
estratégia, com uma política de renda definida, que o seguro rural e os preços
mínimos funcionem, falta uma política comercial mais agressiva, uma política de
vigilância sanitária, falta uma política tecnológica”.
Para o diretor titular do Departamento de Agronegócio da Federação das
Indústrias de São Paulo (Fiesp), Benedito da Silva Ferreira, o ano de 2012 tem
sido positivo para o agronegócio brasileiro.“Os preços estão bons, há boas
relações de troca. A agricultura vai bem, tal como foi no ano passado.”
Ferreira acredita na continuidade do
cenário favorável em 2013, com aumento da área plantada no Brasil. No entanto,
admitiu que o setor ainda sofrerá impactos da crise europeia e
norte-americana.
Rodrigues e Ferreira foram
contemplados com o Prêmio Destaque-A Lavoura 2012, concedido pela Sociedade
Nacional de Agricultura (SNA), desde 1973, a personalidades e empresários que
contribuem para o desenvolvimento do setor agrícola.
Edição: Carolina Pimentel

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