terça-feira, 16 de outubro de 2012

Produção de açaí no AM cai 10% com a cheia e Estado suspende exportação

 

Reportagem: Daisy Melo- Jornal Diário do Amazonas (14 de outubro de 2012)
Foto:internet

A produção de açaí do Amazonas deve encerrar 2012 com retração de 10,5%. A estimativa é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea). A cheia histórica do Rio Negro, neste ano, foi o que mais afetou a colheita do fruto, que ainda é subexplorado no Estado, onde a exportação é inexistente. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram produzidas no Amazonas 89,4 mil toneladas de açaí em 2011. A previsão para esse ano é alcançar 80 mil toneladas, em um total de 330.776 cachos. “Essa redução se deve pela grande enchente que atingiu o Amazonas e o setor primário”, afirmou o presidente da Faea, Muni Lourenço.

O Pará e até o Ceará faturam com a exportação, ao contrário do Amazonas. “A comercialização hoje, além do mercado de Manaus e do próprio Estado é, principalmente, para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Ceará”, informou Lourenço.

Depois de vender açaí para os Estados Unidos e Amsterdã (Holanda), de 2006 a 2007, a Cooperativa de Codajás interrompeu a exportação. “Isso aconteceu porque, em 2009, a empresa da cooperativa, a Água Indústria, foi alocada pela Humanita da Amazônia durante essa administração, a cooperativa saiu de cena e a empresa parou de exportar e até de vender nacionalmente”, disse o presidente da entidade, Carlos Crispim Rodrigues.

Ao entrar com um processo no Ministério Público do Estado (MP-AM), em 2010, a cooperativa conseguiu reaver a empresa, em fevereiro do ano passado. Dos seis meses de safra (janeiro a junho), a empresa conseguiu produzir em apenas quatro meses. “Recebemos a Água Indústria numa situação delicada, com maquinário danificado, por isso, nossa produção foi de 280 toneladas, em 2011”, contou.

Nesse ano, a situação melhorou para os 132 cooperados. Na safra de 2012, o resultado foi de 480 toneladas prontas para o consumo. “Vendemos para Rio de Janeiro, São Paulo e 40 toneladas para a Seduc (Secretaria de Estado de Educação)”. No ano passado, a cooperativa firmou contrato com o governo do Estado, que utiliza o açaí na merenda escolar.

Para 2013, a projeção da produção é de 500 toneladas, segundo Carlos Rodrigues. No próximo ano, a Água Indústria planeja retomar a exportação, mas não direta. “Estamos afinando a conversa com a multinacional Sambazon, que está instalada no Amapá. A expectativa é que em janeiro estejamos fornecendo açaí para eles levarem para os Estados Unidos”, disse.

Estado perde investimentos para o setor

O Amazonas também perdeu a chance de instalar empresas interessadas em explorar a fruta.

Em 2011, a Maguary conheceu as agroindústrias do interior para tentar fechar contrato de exportação da polpa para os Estados Unidos. “Mas por alguns detalhes de logística e de preço não foi possível fechar o negócio”, disse Muni Lourenço.

“As frutas regionais tem enorme potencial de mercado tanto interno quanto externo e dentre essas frutas o açaí vem se destacando, sendo que já está havendo no Amazonas o crescimento do cultivo racional, para que não fiquemos restritos a produção extrativa”, informa. Além de Codajás, estão entre os municípios produtores Anori, Anamã, Coari e Carauari.

Apesar da instabilidade no setor, a Coca- Cola anunciou, em maio deste ano, o investimento em sucos prontos com sabor de frutas amazônicas, entre eles o açaí.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), a fábrica dos novos xaropes concentrados deve ser em Manaus ou Rio Preto da Eva. O investimento inicial do grupo no novo negócio será superior a US$ 10 milhões.




Reportagem: Daisy Melo- Jornal Diário do Amazonas (14 de outubro de 2012)
Foto:internet

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