* "Entendo que o mais novo instrumento do PAA, com limite de até R$ 8 mil por DAP, denominado de "Compra Insitucional" deva ser avaliado por órgãos dos governos estadual e municipal, pois torna legal a compra direta de grupos formais de agricultores familiares e amplia, ainda mais, o mercado para esses produtores. Também órgãos da esfera federal, incluindo as Forças Armadas e Universidades podem seguir o exemplo da UFPR. Este novo instrumento em nada altera o que já vem sendo feito pela CONAB e pela SEPROR no âmbito do PAA" Thomaz.
Carolina
Gonçalves
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Vinte mil famílias de uma
cooperativa de assentados do Paraná devem fechar hoje (5) o primeiro contrato de
venda direta de produtos para a universidade federal do estado (UFPR). Até a
semana passada, os restaurantes universitários do país só podiam comprar esses
produtos por meio de licitações, mecanismo que muitas vezes eliminava os
pequenos produtores pela incapacidade de competirem com médios e grandes
fornecedores.
“Tínhamos dificuldade antes
porque o processo da agricultura familiar não consegue competir dentro da Lei
8.666 [Lei das Licitações] com condições de equidade”, disse o vice-reitor da
Universidade Federal do Paraná, Rogério Mulinari. “Algumas opções como
alimentação orgânica não estavam cobertas adequadamente no processo licitatório
usual. Não havia oportunidade de licitação”, acrescentou.
Os restaurantes universitários
da instituição servem, segundo Mulinari, 10 mil refeições diárias para alunos e
servidores. “Inauguramos mais um restaurante e a oportunidade de expandir nossa
base de fornecedores com atenção especial para os movimentos organizados veio
como opção.”
A primeira chamada pública exclusiva para pequenos produtores no país ainda é
tímida e prevê apenas a compra de arroz. O vice-reitor da UFPR explicou que,
como a legislação é nova, a compra servirá como experiência para outras
aquisições. “Estas comunidades não têm elevada produção. Estamos estabelecendo
um planejamento para 2013 já que eles não têm grande estoque de alimentos”,
disse.
Segundo Mulinari, representantes da universidade já sinalizaram o interesse
por outros produtos, como derivados de leite, hortifrutigranjeiros e outros
grãos, como feijão, além de chá e mel, para que os produtores possam se
organizar para o próximo ano.
Desde a publicação do Decreto 7.775/2012, que criou uma nova modalidade do
Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), criado em 2003 para impulsionar esse
segmento produtivo, agricultores familiares, assentados da reforma agrária,
silvicultores, aquicultores, extrativistas, pescadores artesanais, comunidades
indígenas, remanescentes de quilombos rurais e comunidades tradicionais não
precisam mais participar de concorrências e licitações para vender os produtos a
instituições federais, estaduais e municipais que fornecem refeições
regularmente.
Com a nova regra, presídios, restaurantes universitários, hospitais e
quartéis podem comprar diretamente desses produtores locais, com chamadas
específicas na nova modalidade que dispensa formalidades de adesão ou convênio
com o governo federal.
"Com a nova modalidade, abrimos
uma nova fronteira”, disse o diretor de Geração de Renda do Ministério do
Desenvolvimento Agrário, Arnoldo de Campos. “Antes o sujeito que abastecia uma
creche e queria comprar da agricultura familiar tinha que tentar mudar a lei,
convencer prefeitos. Com lei nacional, agora, basta aderir ao PAA”,
acrescentou.
Os órgãos têm que definir
produtos, preços de referência e outras especificidades como normas de
embalagens para publicar a chamada pública. “A concorrência é entre os próprios
produtores, com chamada publica exclusiva”, explicou Campos. Cada família de
agricultores familiares vai poder vender até R$ 8 mil para estados, municípios e
órgãos do governo federal.
O limite amplia a fonte de
renda desses produtores que ainda podem manter os contratos com as antigas
modalidades do programa, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome (MDS), do MDA e da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab).
Somada à exigência definida
pelo governo de que 30% da alimentação escolar em unidades públicas sejam da
agricultura familiar e aos limites anuais das modalidades anteriores – como PAA
Leite (R$ 8 mil), Doação Simultânea (R$ R$ 4,5 mil), Compra Direta (R$ 8 mil) e
Apoio à Formação de Estoques, com limite anual de R$ 8 mil por família – o novo
mecanismo de compra vai permitir que essas famílias vendam mais de R$ 30 mil por
ano, apenas por meio do programa.
Representantes do governo ainda
apostam que o crescimento do mercado local pode ter reflexos também na economia
dos municípios. Apesar de evitar especulações sobre o aquecimento do mercado
local, que ainda não têm medidas oficiais, Campos destaca que “dos [cerca de]
5,5 mil municípios brasileiros, 500 são urbanos. Cinco mil municípios são muito
pequenos e a economia rural é a principal atividade. Eles não conseguiam comprar
deles mesmos e tinham que comprar por licitações que muitas vezes eram vencidas
por intermediários da mesma produção local”.
Edição: Juliana
Andrade

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