sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Sem poder entregar ao PAA, banana do Rio Preto da Eva é destinada para alimentar SUÍNOS



O corte orçamentário do presidente Temer ao PAA operado pela CONAB em todo território nacional tem causado sérios transtornos ao produtor rural. No Amazonas, a situação é grave, nem poderia ser diferente. Das mais de 70 propostas apresentadas ao órgão, algo em torno de somente 15 foram contempladas. O Amazonas precisaria de aproximadamente R$ 15 milhões para atender todos os grupos formais, mas somente R$ 2 milhões e pouco foram disponibilizados ao nosso estado. Deixo claro que a culpa não é da atual gestão da CONAB/AM.
Tanto o Antonio (ex-superintendente), quanto o atual, Serafim Taveira, tem se esforçado para reverter esse quadro, mas não tem orçamento, não tem dinheiro. A "Compensa" deveria ajudar, assim como a bancada federal, mas não consigo ter esperança. Espero que esteja errado. A imagem acima vem do Rio Preto da Eva, Ramal do Banco, e foi postada num grupo de whatsapp por um produtor rural cuja proposta de sua associação não foi contemplada. Como não pode entregar ao PAA, as bananas estão sendo destinadas para a alimentação dos suínos, e boa parte foi entregue ao Mesa Brasil a título de doação, sem cobrança. Um gesto nobre do produtor rural. 

Quais as saídas?

1) Rio Preto da Eva deveria seguir o caminho de Manacapuru, ou seja, procurar o MDS demonstrando interesse em assinar o termo de adesão ao PAA MUNICIPAL. Com isso, com recursos federais poderia comprar a produção do próprio município e destinar aos programas sociais. Em síntese, fazer a mesma coisa que a Conab faz. Sempre defendi isso, pois não há concorrência,  temos 275 mil agricultores familiares no Amazonas, e nem 10% foram atendidos pela Conab ao longos dos últimos 14 anos;

2) É preciso saber se a prefeitura do RPE vem comprando os 30% obrigatórios do PNAE. Vem pagando? Também é preciso saber se,  com verbas federais/PNAE, a SEDUC e a SEMED/Manaus estão comprando os 30%;

3) O Estado, via FPS, deveria construir estrutura (na abandonada Central de Iranduba) para beneficiar a produção regional, incluindo a banana (doce, bananada)

4) Apertar o Exército, Marinha e Aeronáutica para cumprir a obrigatoriedade contida na legislação que exige a compra de no mínimo 30% diretamente da agricultura familiar. Só a Marinha fez recentemente, mas ainda foi pouco;

5) Manaus está abastecida de banana de Roraima. Tudo bem, livre mercado, mas qual a razão de ter preço e ganhar nosso mercado mesmo pagando frete até nossa capital? Isso precisa ser avaliado pelos envolvidos com a cultura e com órgãos de governo da área rural;

6) Cobrar do estado que as regras de quotas do PREME sejam revisadas priorizando a compra direta do produtor ou do seu grupo formal é outra caminho. Dinheiro do PREME deve ser priorizado ao pequeno produtor. Em síntese, priorizar o pequeno produtor que é mais vulnerável aos imprevistos do mercado;

Um comentário:

  1. Mais uma vez, obrigado Thomaz por ajudar as cooperativas. Vou enviar essa sua matéria para Brasília. Abraço.

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