terça-feira, 27 de março de 2018

Já chega de levantar os "desafios" e "oportunidades". Vamos colocar em prática o que já sabemos.....

Ao longo dos meus últimos dez anos em atividade na CONAB participei de vários encontros na FAS, e em outras instituições. Todos debatendo temas importantes, com a presença de representantes do interior e com um time interno de bons profissionais. Quase todas as cadeias produtivas entraram em análise, avaliação e definição de caminhos para superar os desafios e melhorar a vida de quem está preservando a floresta ao mundo. Contudo, ao saber que o IBGE divulgou o percentual de 49,2% de pobreza no Amazonas chego a conclusão que precisamos mudar de estratégia, pois não existe sustentabilidade no Amazonas com 49,2% na pobreza, ou seja, metade do estado. Pode até estar bom pro resto do Brasil, para o mundo, mas por aqui não está. Isso é extremamente injusto com quem preservou 97% da floresta. Já sabemos quais são os "desafios" e as "oportunidades", bater na mesma tecla é, no meu ponto de vista, atrasar ainda mais o interior. Estou fazendo esse comentário em cima de um novo evento da FAS, mas serve para todos os demais fóruns que discutem a sustentabilidade em nosso estado. Precisamos de urgente ação para tirar o interior do caos econômico e social, já que o ambiental conseguimos preservar 97%. O foco desses NOVOS encontros deve ser exclusivamente o BOLSO do caboclo do INTERIOR, a renda de quem sustentou a floresta em pé até hoje. É inaceitável saber que o extrativista da castanha, borracha, cacau, pirarucu de manejo, peixe ornamental, piaçava, entre outros que poderia citar, que estão sendo pessimamente mal remunerados. Isso não pode ser ignorado nesses NOVOS encontros, tem que ser o ponto de partida e o ponto final dos debates. Qualquer  outro caminho é só postergar a permanência da miséria no interior do Amazonas e o bem estar do resto do mundo.  Isso é justo? Claro que não! Sempre tenho apontado caminhos, entre eles:

1) A aplicação do PEP (Prêmio para Escoamento da Produção) para os produtos do extrativismo. O governo federal gasta milhões usando esse instrumento de apoio à comercialização para escoar a produção de milho, e atualmente de arroz, de médios e grandes produtores, MAS NÃO AJUDA OS EXTRATIVISTAS DO AMAZONAS POR FALTA DE DEMANDA LOCAL. Já defendi o apoio do PEP para assessores da ex-ministra Kátia Abreu no auditório da FAEA. Eles gostaram, acharam justo, e as federações do Norte também. Mas só a FAEA vem defendendo; idem OCB e FETTAGRI-AM;

2) Não faz sentido algum ter um preço mínimo fixado pelo Governo Federal que contemple apenas o CUSTO DE PRODUÇÃO para alguns produtos da sociobiodiversidade. Cadê a luta para adicionar um plus pelos serviços ambientais?

3) A PGPMBio do Governo Federal, operada pela Conab, é uma boa política, falta apenas considerar o que disse no item 2, e desburocratizar COM SEGURANÇA. Repito, COM SEGURANÇA. E que a direção dos grupos formais seja comprometida com a transparência e seriedade. Essa política tem recurso, sabemos que o extrativista vende abaixo do preço mínimo, e apenas pequena parte consegue acessar. A Conab se esforça, o IDAM também, mas é preciso fortalecer essa parceria;

Há anos venho defendendo esses três caminhos, tem outros, mas confesso que são poucos os interessados nesses avanços. Qual a razão? Pra ser justo, sempre tive o apoio da FAEA, depois da OCB e  mais recentemente da FETTAGRI-AM, mas ainda não foram suficientes para obter a conquista. Qual a razão?

2 comentários:

  1. Caro amigo Thomaz, creio que tudo isso é consequência do descompromisso políticos da alta administração do nosso Estado, e hoje somado à falta de força política devido a tanta sujeira que foi exposta à sociedade amazonense e ao país nos últimos 2 anos. Nossa esperança seria surgir novos nomes para o executivo e legislativo do Amazonas, mas pelo visto, vamos continuar fazendo mais do mesmo, ou escolhendo mais do mesmo, por pura falta de opção!

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  2. Concordo Karine, mas não vamos desistir...

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