quinta-feira, 27 de março de 2014

Embrapa promove capacitações para técnicos de transferência de tecnologia de 30 municípios do AM

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Por PAULA VIEIRA

Com o desafio de apoiar o agricultor familiar do interior do Amazonas a adotar inovações tecnológicas resultantes de pesquisa da Embrapa, mais de 50 técnicos de 30 municípios do Amazonas estão sendo preparados para atuar nos projetos das linhas temáticas de Fruticultura, Pecuária Sustentável e Produção de Borracha Natural, no Programa Estratégico de Transferência de Tecnologias para o Setor Rural  Pró Rural/ Residência Agrária. Esses técnicos participam de capacitações promovidas pela Embrapa Amazônia Ocidental durante esta semana, de 24 a 28 de março.


O chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Marcelo Brum Rossi, durante a abertura das capacitações, destacou que com esses projetos do programa Residência Agrária, a Embrapa vai poder expandir sua capacidade de ação em quase todos os municípios do Amazonas. A Embrapa coordena quatro projetos no Pró Rural/Residência Agrária, que juntos são responsáveis por ações de transferência de tecnologias em 45 dos 62 municípios do Estado, envolvendo 75 técnicos bolsistas. Luiz Marcelo agradeceu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror-AM) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-AM), que são as financiadoras do Programa, e do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), que é parceiro no apoio aos técnicos bolsistas.
Os projetos são direcionados a levar ao produtor inovações tecnológicas geradas pela pesquisa e socializar esses conhecimentos para apoiar a produção rural. Quem faz essa mediação com o produtor são os técnicos extensionistas, bolsistas dos projetos, que passam a residir no município e realizar atividades de assistência técnica em temas específicos do projeto, em parceria com o Idam. Os técnicos são profissionais recém-formados em cursos, de níveis médio e superior, das ciências agrárias.
Representando a Fapeam na abertura do evento, Renata Veiga, gerente do Núcleo de Apoio dos Programas de Inovação, destacou que o Pró-Rural/ Residência Agrária veio criar a oportunidade para que os conhecimentos gerados pela pesquisa científica cheguem ao produtor rural.
Como funciona ? Pelas metas de cada projeto, cada técnico bolsista irá prestar assistência técnica a 100 produtores por ano, utilizando as inovações tecnológicas, os conhecimentos recebidos nas capacitações, e considerando ainda os conhecimentos locais dos produtores.
Em cada município os conhecimentos e tecnologias são demonstrados de forma prática, em áreas de produtores. Através de cada projeto, a Embrapa passa a demonstrar as tecnologias nos municípios de sua abrangência com a implantação de áreas demonstrativas, chamadas de Unidades de Construção do Conhecimento Coletivo-UCCC (no caso da agricultura) ou Unidades de Referência Tecnológica-URT (no caso da pecuária), que servem como instrumento didático para apresentar as recomendações técnicas de cada sistema de produção e promover capacitações sobre as inovações tecnológicas aos produtores interessados.
Em alguns municípios já começou a implantação dessas Unidades. É o caso dos municípios de Borba, Manacapuru, Presidente Figueiredo e Parintins, que já contam com Unidades de Pecuária Sustentável. Outros 21 municípios contam com Unidades de Construção do Conhecimento Coletivo, em plantios de feijão-caupi, mandioca e milho, apresentando tecnologias pelo projeto coordenado pela Embrapa ?Estratégias de Socialização e Transferência de Conhecimentos para Adoção de Inovações Tecnológicas nas Culturas Alimentares pelos Agricultores Familiares do Amazonas?. Esse projeto iniciou as atividades, no ano passado (2013). A capacitação dos 21 técnicos bolsistas deste projeto ocorreu em setembro, em dezembro iniciaram os plantios e, como são culturas de ciclo curto, a colheita está prevista a partir de maio deste ano.
Nas capacitações dos projetos de Fruticultura, Produção de Borracha natural e Pecuária Sustentável, os técnicos extensionistas estão recebendo informações técnico-científicas e orientações sobre as atividades a serem desenvolvidas pelos projetos em cada município.
Fruticultura
A Capacitação Técnica em Fruticultura iniciou dia 24 e acontece até dia 28 de março, abordando temas como contextualização da fruticultura no Amazonas, extensão e desenvolvimento rural; processos de desenvolvimento e participação; matéria orgânica do solo; interpretação de análise de solo e plantas; e informações técnicas sobre as culturas da bananeira, cupuaçuzeiro, cacau, açaí, maracujá, abacaxi, mamão e boas práticas na fabricação de polpas. O projeto tem o enfoque em inovações tecnológicas para fruticultura na agricultura familiar e abrange 13 municípios: Careiro da Várzea, Silves, Codajás, Novo Aripuanã, Lábrea, Coari, Tabatinga, Atalaia do Norte, São Sebastião do Uatumã, Anori, Iranduba, Urucurituba e o distrito de Novo Remanso, em Itacoatiara. Na capacitação participam 19 instrutores, incluindo pesquisadores e técnicos da Embrapa, do Idam e da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).
O pesquisador da Embrapa, Gilmar Meneghetti, coordenador do projeto ?Transferência de tecnologia e estratégias de socialização do conhecimento para a agricultura familiar: inovação na fruticultura do Estado do Amazonas?, explica que a adoção das inovações tecnológicas apresentadas sobre essas culturas possibilitam ganhos socioeconômicos, como o aumento da produtividade e da oferta de matérias primas para as agroindústrias, a elevação da renda dos agricultores, a melhoria da alimentação e da qualidade de vida das populações rurais. No aspecto ambiental, também permitem o aproveitamento de áreas já desmatadas, recuperando-as para cultivos e, também, aproveitando áreas de preservação para o manejo e extração de frutas nativas.
Pecuária Sustentável
A capacitação do projeto ?Transferência de Conhecimentos para Adoção de Inovações Tecnológicas que promovam a Pecuária Sustentável no Amazonas? vai até dia 27 de março e envolve 20 técnicos (agrônomos, zootecnistas, veterinários e técnicos em agropecuária).
O coordenador do projeto, pesquisador da Embrapa, Jasiel Nunes, explica que para que a pecuária se torne mais sustentável no Estado, se pretende incentivar o uso da tecnologia de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) para recuperação de áreas de pastagens degradadas. Com isso, pode se ter a produção de grãos (milho e feijão) e madeira, com consequente diminuição dos custos de recuperação de pastagens, mais a alternativa de diversificar produtos na propriedade rural e elevação da renda familiar. O sistema iLPF é uma estratégia de produção sustentável que integra sistemas agrícolas, pecuária e floresta, baseado na adoção de práticas conservacionistas, como o plantio direto, a rotação e a sucessão de culturas, o consórcio de espécies, o manejo animal e a produção de forragens, madeiras, fibras e frutos. Os 14 municípios contemplados neste projeto são Boca do Acre, Apuí, Borba, Manicoré (e o distrito de Matupi), Lábrea (com ações no sul do município), Autazes, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Urucará, Nhamundá, Barreirinha, Parintins, Presidente Figueiredo e Manacapuru.
Produção de Borracha Natural
A capacitação sobre ?Uso das novas técnicas de enxertia, sangria, coleta e armazenamento da borracha natural? envolve técnicos que atuam nos municípios contemplados pelo projeto ?Novas tecnologias para dinamização da produção da borracha natural no Amazonas”. Os municípios são Boca do Acre, Borba, Canutama, Carauari, Coari, Eirunepé, Fonte Boa, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manicoré, Maués, Novo Aripuanã, Pauini, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga. O coordenador, pesquisador da Embrapa, Everton Cordeiro, informa que as novas tecnologias que serão compartilhadas pelo projeto têm o potencial de incrementar a produção de borracha natural no Amazonas, melhorando a vida do seringueiro com os plantios de seringueiras tricompostas resistentes ao mal das folhas, doença que prejudica o cultivo na região de floresta tropical úmida. A capacitação se estende até 26 de março.
Alcance do Programa
Ao todo, o programa Pró-Rural/Residência Agrária conta com 170 técnicos bolsistas em 10 projetos, dos quais quatro estão sob a coordenação da Embrapa, e os demais com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (Ifam) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Atingindo a meta de 300 produtores atendidos pelos técnicos de todos os projetos espera-se atingir mais de 50 mil agricultores em três anos, nos 62 municípios do Amazonas.
Alguns resultados imediatos já podem ser notados, conforme destaca a coordenadora do Programa Residência Agrária, da Sepror, Alíria Noronha. Em termos quantitativos, ela ressalta o aumento de pessoal que trabalha em assistência técnica e extensão rural no interior do Estado, pelo acréscimo de 170 técnicos, além dos 300 técnicos do Idam. Em termos qualitativos, a coordenadora relaciona que o programa está viabilizando que tecnologias geradas pelos centros de pesquisa sejam experimentadas pelos produtores. Alíria destacou, por exemplo, o projeto Culturas Alimentares, um dos coordenados pela Embrapa, que leva conhecimentos e tecnologias de baixo custo e fácil implantação que podem ajudar o agricultor familiar a melhorar sua produção de feijão-caupi, milho e mandioca. ?Com tecnologia de fácil implantação, os agricultores não ficam dependentes dos técnicos?, acrescenta.
A coordenadora destacou que os princípios que orientam o Programa Pro-Rural/Residência Agrária visam à melhoria de vida da população rural, o desenvolvimento sustentável, a economia solidária, a agricultura familiar como unidade de ação, a transferência de tecnologias para ampliar a renda e a valorização da cultura da população rural, entre outros.
 Fonte: Embrapa

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