* A notícia divulgada pelo Jornal do Commercio/AM deixa evidente, mais uma vez, o ataque de São Paulo à ZFM. Sempre foi, e será assim eternamente. O que não consigo entender é que durante longos 47 anos do atual modelo não fomos capazes de criar alternativas que não nos deixassem vulneráveis a essas situações. O setor agropecuário local, nossas potencialidades, nunca foram prioridade do poder político regional. O foco principal sempre foi a defesa do PIM. Entretanto, a partir do ZFV (Zona Franca Verde), idealizado no governo Eduardo Braga, e das políticas do presidente Lula para a agricultura familiar, é visível alguns pontuais avanços, mas ainda sem musculatura para gerar o emprego e renda que necessitamos para substituir o PIM e interiorizar o desenvolvimento.
Apresento, abaixo, trechos do discurso de posse do primeiro superintendente da SUFRAMA, ocorrido em 12.05.1967 (45 anos atrás). As partes em destaque demonstram, acredito, que o diagnóstico continua sendo o mesmo e a situação do caboclo do interior não mudou muito. A luta continua, só não podemos é desperdiçcar mais 45 anos, pois novos ataques de SP vão continuar surgindo.
Discurso Cel.Floriano Pacheco
Discurso de posse do primeiro Superintendente da Suframa, CEL.FLORIANO
PACHECO,em 12.05.1967, no auditório “Alberto Rangel”, na Biblioteca Pública do Estado do Amazonas, em cerimônia presidida pela Governador do Estado do Amazonas, Danilo Duarte de Mattos Areosa. |
As presenças aqui, do Excelentíssimo Senhor Presidente Marechal Arthur da Costa e Silva, quando candidato, e, agora, do Senhor Ministro do Interior, General Affonso Augusto de Albuquerque Lima, asseguram que o Governo Federal tem os olhos postos no Amazonas. O interesse nacional caminha neste rumo; ao passar os olhos pelo Brasil temos o sul desenvolvido, com índices que nada deixam a desejar quanto às mais avançadas nações. O Norte e o Nordeste já agora caminham numa ação dinâmica de todas as origens. O Pará, frente para o mar, já respira melhor. O Amazonas espera ainda a sua hora; ela se aproxima e é objeto da maior preocupação do Governo Federal, como acaba de salientar o Senhor Ministro.
A mística das dificuldades do Amazonas, acreditamos, terá solução, realidade, na conjugação do afluxo de capitais de todas as origens que aqui devem aportar e do maior denodado esforço humano de trabalho.
Estamos certos de que o efetivo desenvolvimento da Zona Franca propiciará a Manaus, tudo quanto seu povo espera, transformará esta cidade histórica num baluarte de irradiação do progresso e de ocupação dos mais distantes campos de atividades do nosso país.
Aqui fazemos referência à constante preocupação das Forças Armadas, que nestas áreas tão longínquas, cujos elementos, ombro a ombro com o povo sofrido, não só coração que é animoso e constante no seu amor por esta terra, mas na sua carne sujeita à rudeza da selva, da água, do sol e das endemias sem piedade, se esforçam em conservar nosso formidável encargo legado pelos nossos antepassados.
Ao Governo Federal, ao Governo do Estado do Amazonas, à Sudam, ao empresariado de todas as procedências, à Suframa, a todos que num esforço comum e coordenado, devem integrar a Amazônia na vida da Nação brasileira, com o potencial de suas riquezas, para a redenção da sua gente.
Só nos move neste momento, com a intenção de bem servir, uma preocupação: o homem da Amazônia, o suporte à sua vida, ao bem estar de sua família, à sua fé nos destinos da sua Pátria, que ele guarda, há muito, com o seu sofrimento, com sacrifício de sua própria vida.
Muito obrigado.
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