sábado, 28 de julho de 2012

Segurança dos alimentos

ZERO HORA / Décio Luiz Gazzoni

As regras do comércio internacional são cada vez mais restritivas em relação à segurança dos alimentos


As regras do comércio internacional são cada vez mais restritivas em relação à segurança dos alimentos. Considera-se que um alimento é seguro quando a presença de contaminantes físicos, químicos ou biológicos situa-se abaixo dos limites fixados em lei. O agronegócio brasileiro necessita adaptar-se com rapidez a esse ambiente mercadológico, porque é uma exigência também do mercado doméstico.

Existem diversas ações destinadas a monitorar a segurança dos alimentos no Brasil. Em dezembro de 2011, a Anvisa divulgou o resultado das análises de resíduos de agrotóxicos, realizadas em 2.488 amostras de frutas e hortaliças, como parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos. Foi verificado que 1,6% das amostras apresentavam limites de resíduos acima do permitido.

Embora não sejam os únicos, três dos principais parâmetros da ciência da toxicologia envolvidos na temática de inocuidade química dos alimentos são: 1) dose letal 50 (DL50) – dose que mata 50% das cobaias em testes científicos; 2) limite máximo de resíduos (LMR) – quantidade máxima de agrotóxico legalmente aceita no alimento; 3) ingestão diária aceitável (IDA) – quantidade máxima do agrotóxico que, ingerida diariamente, durante toda a vida, não oferece risco à saúde. Portanto, uma amostra enquadra-se ou não nas disposições legais.

O contínuo aprimoramento dos métodos de análise e dos equipamentos de detecção de resíduos já permite identificar substâncias químicas na ordem de 1 parte por trilhão (1 ppt).

Logo, quanto mais precisos forem os métodos de análise de resíduos de substâncias químicas, maior será a probabilidade de detecção desse material, o que imporá exigências cada vez maiores na produção de alimentos, em especial em um ambiente fortemente competitivo e com constantes recaídas protecionistas, como é o mercado internacional de produtos agrícolas.

*Engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja e membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável

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